quinta-feira, 14 de março de 2013

PAIS AUSENTES

MÃE, POR QUE MEU PAI NÃO LIGA PRA MIM OU NÃO VEM ME VISITAR?  PAIS AUSENTES

Uma mulher pode até levar a vida sem a companhia de um parceiro, pai de seus filhos. Ela educa, cuida e resolve inúmeros problemas sozinha. Mas isso não minimiza o valor do papel paterno na mente das crianças. Seja em que situação for, uma criança sem a presença do pai em sua vida diária freqüentemente tem sentimentos de frustração, desajuste e dúvida, que se expressam na mais simples frase: “Mãe, por que meu pai não liga pra mim ou não vem me visitar?” Não importa em que situação familiar a falta do pai aconteça, esta reação preocupa a mãe. Ela deverá, diante disso, tentar encarnar a figura do famoso “pãe” – pai e mãe ao mesmo tempo?
É possível que crianças ou adolescentes se sintam rejeitados por não terem a presença física e emocional constante de um pai, o que pode afetar sua auto-estima. E eles correm o risco de ter um desenvolvimento emocional sujeito a problemas indesejáveis, como depressão, falta de confiança, timidez, dificuldades de aprendizagem etc.
Segundo Cristina Nacif Alves, pedagoga da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e especialista em Desenvolvimento e Aprendizagem da Criança, tanto a figura do pai quanto da mãe são importantes para a criança e o adolescente, pois a sociedade possui imagens e papéis altamente valorizados. “Se uma criança não tem pai ou mãe, acaba, muitas vezes, sendo cobrada na escola pelos amigos”,destaca
A função materna diz respeito aos cuidados e à atenção acerca das necessidades físicas, morais, intelectuais e emocionais dos filhos. A função paterna refere-se à lei que traça limites para a regulação das condutas. Todavia, o fato desses papéis serem denominados materno e paterno não significa que só podem ser exercidos pela mãe e pelo pai, respectivamente. O mais importante é que ambas as funções sejam desempenhadas pelos responsáveis, pois tanto o carinho e o cuidado, como os limites, são fundamentais para que a personalidade se desenvolva de forma a constituir um sujeito ético, convicto de seus atos e cumpridor de seus deveres.
Diante de famílias que sofrem com o divórcio, mortes, doenças, o que fazer? Os filhos acabam, não raro, sendo submetidos aos cuidados ou leis de mais de uma mãe e ou de mais de um pai, cujas regras precisam estar em constante negociação entre os adultos que compõem a família. No caso de pais separados, os filhos terminam tendo duas casas, cada qual com suas regras, e se a separação for litigiosa, pais acabam usando os filhos para afetarem um ao outro e, com isso, falham no cumprimento das funções básicas da família.
Outra situação bastante comum é quando o pai está presente no casamento e todos os dias em casa, mas é absolutamente ausente. Seja porque não se interessa pela dinâmica cotidiana da família, seja porque não consegue representar a função paterna. Por quê? Existem várias possibilidades. Falta de compromisso, imaturidade, fraqueza diante de mães muito fortes que sufocam os filhos e o marido e o desejo de parecer mais jovem são algumas delas.
Tanto a mulher quanto o homem têm a mesma importância e responsabilidade na formação dos filhos. Quando a mãe ocupa seu papel e o pai ocupa o seu lugar, o resultado são filhos equilibrados.
Os pais casados ou separados devem procurar manter, na convivência com os filhos, um clima de respeito e de confiança. Sempre que houver mais de um adulto responsável por uma criança ou adolescente, estes devem atuar de maneira sensata e jamais transmitir aos filhos os possíveis desacordos. Seja no papel materno ou paterno, filhos precisam sentir que quem cuida deles se entendem, se respeitam e se admiram e estão verdadeiramente presentes.